Estamos ultrapassando das dezesseis horas e trinta e três minutos. O tempo está estacionando-se…

Um dia estava a observar os Corpos Celestes. Achei deveras interessante (e oportuno) quando avistei uma Estrela Cadente. A emoção naquele tão curto espaço de tempo foi instantânea, jamais havia sentido algo de tamanha incandescência celestial!

A primeira reação foi cobrir meus olhos (alagados pelo orvalho espiritual), levantar a cabeça rapidamente e adentrar ao mundo abstrato dos sonhos para lançar ondas mentais ao encontro de um desejo único e raro, no qual gostaria absurdamente de senti-lo realizado…

Por um breve momento perdi minha alma, pois deixei-a vagando aos poucos em torno do espaço fluente de meu Músculo Supremo. Alastrou-se com tamanha perfeição que cheguei a imaginar se conseguiria reavê-la novamente, pois Ela estava em seu ponto de máxima concentração óptica, e avistava experiências incríveis e imperceptíveis para o ser humano comum. Somente aquele que possui a plena Harmonia poderia realmente perceber o que Ela estava a sentir…

E tudo aconteceu em segundos! Universo, Tu me destes a noção do Tempo para poder jorrar miraculosamente os detalhes próprios e práticos do Instante! Por ti minha áurea se expande cada vez mais, e a ti agradeço!

Impressionante a presença espiritual no momento rústico ao qual me desfaleci em pensamentos puros e claros… Meus canais ópticos congelaram-se ao imaginar a beleza e pureza Dela, à qual deverei render minha insignificante vida, ainda que seja deveras preciosa!

Sim, estou em retiro Virginiano para poder alcançar a Harmonia interiorana de meus pensamentos complexos e tentarei amplificar os sentimentos mais distantes. Em caminho curto mas tortuoso, chego a pensar que talvez tenha passado desapercebido, quando todas minhas tentativas serão em vão…

Enquanto continuo a busca, devo colocar a Espada sobre o Mármore Supremo e caminhar sobre o Lago Ariano; A certeza de que um dia alcançarei a Pérola está consumada, mas não posso mais perder meu tempo! Cada segundo é significativo, preciso acelerar meus passos obscuros e rastrear estas vibrações!

Atingi o meio dia de minha Vida. Conseguirei capturar o que se falta? Avistarei novamente A Estrela Cadente atravessando os Corpos Celestes? Vai Saber…

• Vai Saber é uma obra de Guilherme Oliveira Magalhães. A crônica descrita pode ser copiada desde que citado o autor e, portanto, contatando-o através do email magalhaes.guioliveira@gmail.com

• Crônica  escrita em 31 de maio de 1995 e reeditada em 27 de agosto de 2016

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